Secagem de vacas leiteiras: Qual a importância desse procedimento?

secagem de vacas leiteirasO processo de secagem de vacas leiteiras proporciona uma pausa na ordenha, por um período determinado antes da próxima lactação. Por meio desse procedimento, as glândulas mamárias destes animais podem descansar, se recuperar e renovar suas células, e, desse modo, produzir leite com mais qualidade e quantidade.

Para crescer com saúde e se desenvolver, os bezerros necessitam de cuidados especiais de manejo, sendo um deles a ingestão do colostro. Esse primeiro leite irá garantir o reforço do sistema imunológico do animal, que somente depois deste período irá desenvolver defesa própria. 

Devido ao desenvolvimento de técnicas capazes de melhorar esta produção, resultado de muitos anos de pesquisas feitas por entidades ligadas ao setor, é possível melhorar a qualidade do colostro e do leite obtido na produção em grande escala, devido o processo de secagem. Portanto, garantir que a vaca produza leite de qualidade, é essencial em uma propriedade. Continue lendo e saiba mais detalhes desse procedimento.

Quando realizar a secagem de vacas leiteiras? 

Antes da próxima gestação, seguida de lactação, a vaca necessita ter um descanso da glândula mamária. Para isso é fundamental uma interrupção do fornecimento de leite. Além de ser essencial para o descanso, também é muito importante para que o animal melhore fisicamente tanto para o parto quanto para a próxima gestação. 

Além do mais, este período possibilita uma oportunidade para a eliminação de casos existentes de mastite subclínica. Geralmente esta época dura cerca de 60 dias. Porém, sob certas condições de manejo e nutrição específicas, períodos secos mais curtos de até 45 dias podem ser viáveis. 

Períodos secos muito longos maiores que 70 dias tendem a aumentar a ocorrência de problemas metabólicos no pós parto. Assim como, períodos de secagem menores que 45 dias normalmente fazem com que a vaca produza menos leite na próxima lactação. Dessa forma, o período ideal de secagem deve ser entre 45 e 70 dias. 

Além disso, vacas com gestações gemelares e picos de estresse térmico ambiental tendem a antecipar partos em até 2 semanas. Por isso, a escolha da duração do período seco depende das instalações disponíveis e do sistema de manejo de cada rebanho.

Como já foi dito, o tempo ideal para o processo de secagem é por volta de 2 meses antes do animal parir. Nesse tempo, devido aos hormônios presentes na vaca, ela cessa a produção de leite, mas começa a produzir uma secreção chamada colostro.

Essa secreção é de grande importância para o bezerro, porque é ela que lhe garante a vida. No colostro estão presentes os anticorpos da mãe tão necessários à sobrevivência do filhote.

Como fazer a secagem?

De modo geral, o processo de secagem deve ser realizado de forma severa, ligado à utilização higiênica de antibióticos intramamários específicos para vacas secas.  De acordo com a duração do período seco para a evitar resíduos de antibióticos após o parto. 

O antibiótico aplicado também deve ser específico para tratar os principais tipos de infecções que ocorrem no rebanho. Pois, cada rebanho possui uma característica individual quanto aos patógenos mais comuns em vacas contaminadas. 

Devido ao fato de que o processo de secagem ser uma fase não produtiva, a terapia de vaca seca possibilita o uso de uma maior concentração de antibiótico. Isso sem a necessidade de descarte de leite com resíduos. Entretanto, além do uso de antibióticos na secagem, outros elementos podem induzir o risco da vaca ter mastite durante o período seco e início de lactação. Como por exemplo, o tipo de antibiótico, o estado imunitário dos animais, e as condições de higiene do ambiente. 

Contudo, existem alguns cuidados fundamentais no momento da secagem. Para dar início ao processo, é necessário ter certeza de que a vaca está livre de mastite. Então,  para realizar a identificação da presença ou ausência da doença, recomenda-se o teste da caneca de fundo escuro. Assim, se o teste der negativo, a vaca pode passar pelo processo de secagem.

As vantagens da secagem podem ser percebidas tanto para o animal quanto para o produtor. Para o animal, diz respeito ao descanso antes do parto e também antes da próxima gestação, oferecendo à vaca condições fundamentais para o momento de parir. Para o produtor, a vantagem é possibilitar que ele tenha um bom controle da produção e dos períodos de gestação da vaca.

Tipos de métodos de secagem

Um dos fatores que interfere na sanidade do úbere na lactação seguinte é o manejo de secagem. Dois métodos são comumente usados para secagem de vacas leiteiras: 

  • Abrupto - é realizado pela pausa das ordenhas em um dia específico, com base na data prevista de parto e no total de dias desejado para o período seco (geralmente de 45-60 dias). 

  • Intermitente (ou gradual) - ocorre pela diminuição da frequência diária de ordenha durante um período determinado, ou até quando a vaca reduzir a produção de leite a um quantidade desejada. 

Vacas submetidas ao método de secagem intermitente são ordenhadas somente uma vez ao dia, por um período menor que uma semana. O uso do método intermitente de secagem possibilita a diminuição gradativa da produção de leite da vaca antes da completa pausa do período de lactação, trazendo benefícios à sanidade da glândula mamária. 

Vacas submetidas ao método de secagem intermitente apresentaram diminuição na ocorrência de infecção intra mamária durante o período seco e no estágio inicial de lactação. Principalmente quando comparadas com vacas de alta produção submetidas ao método abrupto de secagem. 

Esta conclusão pode estar ligada ao fato de que vacas com alta persistência de produção de leite submetidas a secagem abrupta estão mais sujeitas a falhas no fechamento do canal do teto nos estágios iniciais do processo de secagem. Entretanto, houve um efeito de interação entre o rebanho e o método de secagem, o que indica que os resultados do método de secagem podem variar de rebanho para rebanho.

Hoje em dia, o método de secagem abrupta ainda é o mais usado em rebanhos leiteiros de alta produção. Porém, a incerteza sobre os efeitos do uso de novas práticas de manejo pode desestimular os produtores de leite de procurar métodos diferentes de secagem, como por exemplo, o uso do método intermitente.

O que se deve evitar?

O manejo de vacas no período pré-secagem varia bastante nas fazendas brasileiras e, na verdade, em todo o mundo. No entanto, infelizmente existem muitos produtores que com o objetivo de reduzir a produção de leite no final da lactação, submetem as vacas, a situações que devem ser evitadas, como:

  • Períodos de restrição alimentar e hídrica (secagem gradual) - provoca um grande estresse no animal e, portanto, não inibe problemas de vazamento de leite após secagem. Alia-se ao fato desses animais se encontrarem no terço final de gestação, fase crítica para o desenvolvimento do bezerro no útero da vaca.  

  • Aumento do intervalo entre as ordenhas - podendo gerar aumento da pressão dentro do úbere, provocando dor intensa e desconforto ao animal, com isso, deixando as vacas mais suscetíveis às infecções intramamárias.

  • Animais mais gordos (acima de 3.5 na escala de condição corporal) - possuem mais problemas metabólicos no pós-parto e sua fertilidade medida em termos de taxa de concepção é muito pior.

  • Altas taxas de lotação - principalmente nas semanas próximas ao parto, prejudicam a ingestão de matéria seca, o que pode causar maiores problemas metabólicos no pós-parto. Portanto, é recomendado uma taxa de lotação não maior que 80% no período de transição. 

Aliás, podemos ressaltar que trocas de dietas, diminuição de frequência de ordenha ou movimentações frequentes para diferentes lotes geram um grande estresse no animal e devem ser evitados a todo custo.

As vacas que não passam por perí­odos de descanso não conseguem se recompor. Com isso, acabam produzindo uma menor quantidade de leite na lactação subsequente. Além disso, podem ocorrer comprometimentos de saúde, como o aumento de distúrbios metabólicos e até mesmo a dificuldade de produção desse animal, logo após o parto.

Então, o período seco é importante assim como, o manejo de pastagens e alimentação dos animais, sendo que traz um aumento da produtividade e bem estar do animal. 

Porém, ele deve ser planejado somente por profissionais com o devido conhecimento, os quais poderão ainda usar medicamentos facilitadores da secagem, capazes de inibir a geração de hormônios por um curto período, evitar doenças como a mastite e as possíveis dores no úbere.

Um amplo conhecimento sobre a reprodução e produção na reprodução bovina, fazem toda diferença no sucesso do empreendimento. Clique no banner abaixo e saiba quais técnicas aplicar para maximizar os seus resultados.

Fonte: Milkpoint, Portal Agropecuário  

 

 

Bovinos

Bovinos de Leite

Destaques

Sites relacionados
Revista Veterinária Revista Veterinária Portal Suínos e Aves Tecnologia e Florestas
© 2019 Revista Agropecuária. Todos os Direitos Reservados.