Os sistemas silvipastoris surgem como uma alternativa para recuperar a biodiversidade em sistemas agrícolas e pecuários

O estado de Rondônia ocupa uma posição de destaque na produção leiteira inspecionada. A pecuária leiteira tem grande importância para o desenvolvimento econômico do estado, mas o pouco uso de tecnologia por parte dos produtores de leite é preocupante, pois demonstra a vulnerabilidade desse setor, quando consideramos a competitividade dentro da cadeia produtiva nacional, um mercado consumidor cada dia mais exigente.

Estudos devem ser conduzidos para buscar novas espécies de forrageiras e tecnologias para a intensificação dos sistemas de produção, para que a pecuária leiteira rondoniense possa se tornar mais competitiva, tanto em relação aos demais sistemas produtivos, quanto em relação à pecuária dos demais estados brasileiros. Além disso, para que essa atividade seja considerada mais sustentável do ponto de vista ambiental, essa intensificação deve ser baseada ou praticada predominantemente em áreas já desmatadas (degradadas) e que se encontram abandonadas ou subutilizadas, o que deve reduzir a necessidade de abertura de novas áreas para formação de pastagens, o que causa perda de biodiversidade e modificações do ecossistema devido ao desmatamento.

Uma alternativa para contribuir com a recuperação da fertilidade do solo, aumentar a biodiversidade e a melhoria do uso dos recursos naturais, é investir nos sistemas agroflorestais (SAF's). Os sistemas silvipastoris (SSP's), uma modalidade de SAF's, são sugeridos como alternativa para recuperar a biodiversidade em sistemas agrícolas e pecuários. Os SSP's versam sobre a combinação natural, ou não, de espécies arbóreas em uma área de pastagem formada por gramíneas e, ou leguminosas nativas ou cultivadas.

As condições de clima, de solo e da biodiversidade de espécies arbóreas nativas com potencial para compor sistemas diversificados, são extremamente favoráveis s para o estabelecimento de SAF's em Rondônia.

Pesquisadores da Embrapa Rondônia em parceria com a Embrapa Acre, identificaram espécies de crescimento espontâneo em áreas de pastagens cultivadas com potencial de uso múltiplo para compor sistemas silvipastoris. Entre as leguminosas arbóreas avaliadas, o bordão-de-velho (Samanea tubulosa), a baginha (Stryphnodendron pulcherrimum) e a jurema (Chloroleucon mangense var. mathewsii) foram as que mais se destacaram.

O impacto ambiental da implantação de sistemas silvipastoris foi avaliado em unidades de produção familiar participantes do "Projeto Silvipastoril: agricultores familiares promovendo o equilíbrio ambiental em Rondônia", em outro estudo conduzido pela Embrapa Rondônia. Como os SSP"s foram avaliados apenas um ano após o plantio das espécies arbóreas, foi possível observar um impacto ambiental pequeno, mas positivo, principalmente em relação ao aumento da biodiversidade da propriedade e à implantação do manejo da pastagem via lotação rotacionada, o que provocou uma melhora considerável na disponibilidade de pasto.

Diversos benefícios para o meio ambiente como: a conservação do solo (diminuição de lixiviação e erosão) e dos recursos hídricos (aumento da eficiência do ciclo da água), o aumento na biodiversidade de fauna e flora e a promoção de bem-estar aos animais do rebanho devido ao fornecimento de sombra, podem ser relacionados ao sistema SSP's quando comparado às pastagens convencionais (sem a associação com árvores ou arbustos).

A utilização das SAF's, em especial os silvipastoris, ainda é muito baixa no Brasil, apesar do reconhecimento dos benefícios gerados. As principais limitações para implantação e uso de SSP's são: econômicas (falta de recursos para investimento inicial e retorno em longo prazo), operacionais (necessidade de isolar a área por 2-3 anos e manejar um sistema mais complexo e que exige mais mão de obra e conhecimento técnico) e culturais (ainda existe resistência por parte de pecuaristas que acreditam que as árvores diminuem a produtividade da pastagem e, consequentemente, do rebanho).

A troca de experiências entre técnicos e agricultores é fundamental, pois a complexidade das interações entre os diferentes componentes (árvores, pasto e animais) dos SSP's são específicas para cada localidade o que  dificulta o uso de recomendações embasadas em estudos realizados em outras regiões.

Fonte: Boi a Pasto

Autor(a): Ana Karina Dias Salman e André de Almeida Silva

Adaptação: Revista Agropecuária

 

 

 

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