Conheça as vantagens do caroço de algodão na alimentação de bovinos

Com grande utilidade na nutrição de ruminantes, o caroço de algodão é um sub-produto obtido nas máquinas algodoeiras, após a retirada da pluma.

Sua composição bromatológica varia principalmente em função da proporção de linter, fibras de celulose que restam aderidas ao caroço, depois que a pluma é extraída.

Quando o algodão é colhido mais maduro, geralmente o teor de umidade é menor. O ideal, portanto, é que toda partida de caroço de algodão seja analisada em laboratório, para se determinar seu real valor nutritivo.

Considerado um alimento completo e muito palatável, o caroço de algodão reúne características de alimento volumoso, por isso recomendado para a alimentação de bovinos.

Como em todo tipo de alimentação animal, apesar de suas qualidades, ocorre no caroço de algodão, um fator anti-nutricional, chamado gossipol. O teor de gossipol livre (GL) varia, conforme o cultivar, de 0,5 a 1,0% na MS.

Cultivares resistentes a pragas geralmente têm maior teor de gossipol. Certas variedades provenientes da África do Sul registram até 5% desse elemento. Podem ocorrer variações no teor de GL entre partidas do mesmo cultivar.

Em pequenas quantidades, o GL é inócuo. Porém, quando fornecido em grande quantidade, e por tempo prolongado, ele pode provocar lesões cardíacas e hepáticas, principalmente em animais jovens. Se a intoxicação se manifestar, o tratamento é difícil. Mesmo que o animal sobreviva, provavelmente terá que ser descartado quando alcançar a idade adulta, porque ficará com sua capacidade de produção comprometida.

Portanto, deve-se evitar o fornecimento de caroço de algodão, aos bezerros e outros animais em fase de crescimento, até alcançarem a idade de reprodução. Também não se deve fornecer o caroço de algodão para reprodutores machos (touros, bodes, carneiros, búfalos etc), que podem passar a apresentar problemas reprodutivos.

Pesquisas realizadas nos EUA mostraram que rações contendo níveis de gossipol de 0,1% na MS, fornecidas a machos durante dois meses, provocaram azoospermia ou alteraram a morfologia espermática. Tais sintomas podem ser reduzidos ou mesmo não ocorrer quando a dieta é rica em cálcio, que pode neutralizar o gossipol.

Conclui-se, que, o caroço de algodão somente deve ser administrado às fêmeas adultas e machos em fase de terminação, para abate.

O preço do caroço de algodão pode ser comparado com o do milho (concentrado energético) e do farelo de soja (concentrado proteico).

Quando o preço de mercado estiver abaixo do preço-de-oportunidade, será vantajoso adquirir o caroço de algodão. Se o preço de mercado for maior, então será preferível utilizar milho e farelo de soja como fontes de energia e proteína na ração.

O caroço de boa qualidade deve ser firme e fazer um barulho característico quando chacoalhado. Ele deve se apresentar sem cheiro, limpo, livre de substâncias estranhas e com coloração variando do cinza-claro ao branco. Quando o caroço é colhido e armazenado muito úmido, pode apresentar aquecimento excessivo, tornando-se escuro, o que geralmente indica prejuízo da qualidade, pela diminuição da digestibilidade da proteína e pela rancificação (oxidação da gordura em ácidos graxos pouco palatáveis).

Além disso, pode ocorrer o aparecimento de fungos e de micotoxinas, inclusive a aflatoxina. Se a presença de aflatoxina for superior a 20 ppb (partes por bilhão), o caroço não deve ser fornecido aos animais.

A fibra presente na dieta é fundamental para o bom funcionamento do rúmen e para a saúde do ruminante, e também é importante para a síntese da gordura do leite, embora o teor de proteína diminua.

  Por: Zootec. Dr. Sérgio SavastanoDextru - Divisão de Extensão Rural savastano@cati.sp.gov.br Fonte: Rural Pecuária Adaptação: Revista Veterinária/RA  

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