O cultivo consorciado de milho safrinha com braquiária proporciona benefícios às culturas

O sistema predominante de cultivo, o plantio direto, pode favorecer a degradação do solo e reduzir a produtividade das culturas, pois a sucessão de culturas apresenta baixos índices de cobertura do solo com palha.

Uma forma de proporcionar quantidade e qualidade ideais de palha para cobertura do solo, proporcionando benefícios às culturas cultivadas em sucessão, em especial a soja é utilizar o cultivo consorciado de milho safrinha com braquiária. A semeadura simultânea com linhas alternadas de milho e braquiária, desenvolvida pela Embrapa Agropecuária Oeste, é uma tecnologia reconhecida pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento - MAPA, através do Zoneamento de Riscos Climáticos para os Estados de Mato Grosso do Sul e Paraná.

Para se alcançar os benefícios do cultivo consorciado é importante seguir critérios técnicos indicados pela pesquisa, a fim de evitar a interferência de uma no crescimento da outra durante o cultivo e maximizar seus benefícios à cultura em sucessão, sendo fundamental a superação de dois principais desafios.

Produzir grãos de milho na presença da braquiária e possibilitar o maior crescimento dela após a colheita do milho é o primeiro desafio do consórcio. Neste sentido, é necessário ajustar a população de braquiária à população do milho, porém se isso não for conseguido, a utilização de herbicidas específicos pode ser uma opção importante, a fim de evitar o crescimento excessivo da forrageira durante o desenvolvimento do milho safrinha.

É mais complexo o segundo desafio, pois envolve condições climáticas da região e operacionais na propriedade agrícola, de modo que para a dessecação da braquiária deve-se levar em conta a época de semeadura da soja, a quantidade de palha produzida pelo consórcio e o período de tempo entre a dessecação e a semeadura da soja. Em Mato Grosso do Sul, as condições climáticas de outubro são preferidas em relação às de setembro, tendo em vista as melhores condições de temperatura e umidade relativa do ar, e principalmente pela melhor atividade fisiológica e crescimento da braquiária. Salienta-se que em trabalho desenvolvido em Dourados, MS, os maiores rendimentos de grãos de soja foram obtidos nas semeaduras realizadas em novembro, aos 11 dias após a dessecação da Brachiaria ruziziensis.

Outro importante desafio a ser superado, à fim de proporcionar a maximização dos benefícios do consórcio é ajustar o melhor tempo entre a dessecação da braquiária e a semeadura da soja.

Fonte: Grupo Cultivar

Autor: Gessi Ceccon -Engenheiro Agrônomo, doutor em Agricultura, Analista na Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados, MS.

Adaptação: Revista Agropecuária

 

 

 

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