IATF em bovinos: o que é e como funciona?

IATF em bovinos o que é e como funcionaUma das técnicas mais utilizadas para o controle da reprodução dos bovinos é a Inseminação Artificial (IA), que consiste em depositar sêmen de maneira mecânica no trato reprodutivo das fêmeas. Semelhante a essa técnica, tem-se também a Inseminação Artificial em Tempo Fixo, conhecida como IATF. Essa prática tem como objetivo sincronizar a ovulação das fêmeas bovinas. Dessa forma, por meio da IATF em bovinos, o pecuarista terá, ao mesmo tempo, um grande número de animais inseminados, sem que haja a necessidade da observação frequente de seus ciclos estrais. 

Essa regulação de ciclos é feita a partir do uso de medicamentos e hormônios específicos, equivalentes aos que são produzidos naturalmente. Esses protocolos permitirão uma maior quantidade de fêmeas inseminadas, garantindo, assim, um alto índice de concepção. Dessa maneira, a IATF em bovinos permite ao pecuarista um bom controle de seu rebanho. 

Conheça mais sobre essa técnica!          

A IATF em Bovinos                                                             

A técnica consiste em regular os cios das fêmeas do rebanho, permitindo inseminá-las ao mesmo tempo e em datas predeterminadas. As medicações usadas para a sincronização dos ciclos não são prejudiciais aos animais, uma vez que se assemelham muito aos hormônios naturais, e não trazem consequências negativas à saúde nem causam interferências em ciclos posteriores, o que permite que, mesmo que a inseminação não seja efetiva, essas fêmeas possam emprenhar futuramente. Esses fármacos podem ser utilizados com dois objetivos: de sincronizar os cios pelo adiantamento ou atraso os ciclos dos animais que possuem um período estral regular; ou induzindo o cio nas fêmeas que se encontram na fase de anestro.  

Alguns dos materiais utilizados na inseminação são: luvas, bainhas, aplicadores de sêmen, termômetros e pinças, além dos hormônios definidos e dos espaços para armazenamento dos produtos. 

Ainda pensando nos processos realizados, alguns dos hormônios que podem ser utilizados na IATF em bovinos são: 

  • Hormônio Folículo Estimulante (FSH): é produzido pela hipófise e age nos ovários, sendo responsável pelo desenvolvimento dos folículos

  • Hormônio Luteinizante (LH): assim como o FSH, é produzido pela hipófise. Responsável por formar o corpo lúteo e viabilizar a ovulação. 

  • Estrógeno: produzido por folículos, têm como função a orientação do cio e controle de secreções. 

  • Progesterona: participa da regulação das funções reprodutivas. Produzida pelo corpo lúteo. 

Vantagens da IATF em Bovinos

A sincronização dos ciclos estrais das fêmeas bovinas é importante para o pecuarista, uma vez que, com essa prática, é possível diminuir o tempo ocioso e incluir as vacas que estão em anestro, aumentando o índice reprodutivo do rebanho, e diminuir a possibilidade de perda do período do cio. Dessa forma, a IATF se mostra uma alternativa viável para alcançar bons resultados qualitativos e quantitativos.  

Atualmente, além da dificuldade de se determinar com precisão o cio das fêmeas, um dos grandes problemas da criação de gado de corte no Brasil é o baixo número de bezerros produzidos. Além dessa taxa, também lida-se hoje com o baixo índice de desmama desses bezerros. A implementação da IATF em bovinos, além de diminuir o intervalo entre os partos, permite ao pecuarista um aumento na taxa de serviço de seu rebanho, resultando em um crescimento no número de animais nascidos anualmente. 

Com a IATF o produtor de gado de corte também pode garantir que as fêmeas sejam emprenhadas no período de chuvas para que os bezerros possam nascer em um período de boa oferta de pastagens. Assim, é possível concentrar todos os nascimentos em uma só época, facilitando o manejo nutricional e sanitário, tanto dos bezerros quanto das vacas.

Já em relação ao gado de leite, um dos maiores problemas encontrados quanto à produtividade é a baixa produção anual de leite. Essa situação acontece porque, muitas vezes, o período de serviço dos animais é elevado, ou seja, o tempo entre o último parto da fêmea e uma nova prenhez é muito extenso. Dessa forma, as vacas ficam muito tempo sem produzir leite. Uma alternativa para atenuar essas dificuldades é a implementação da IATF em bovinos, que diminuirá o tempo de serviço das fêmeas e, consequentemente, aumentará a produtividade do rebanho.  

No caso das vacas de leite, a IATF é importante também para garantir que haja um bom nascimento de bezerros distribuídos ao longo do ano todo. Com isso, não  haverá queda na produtividade de leite. 

Outro entrave que pode ser encontrado pelos pecuaristas brasileiros é a baixa eficiência reprodutiva de seu rebanho. Essa situação pode acontecer em função da baixa no número de vacas montadas de maneira eficaz, natural ou artificialmente. A implantação da IATF em bovinos é, também, uma forma de iniciar a resolução dessas dificuldades, uma vez que possibilita o aumento da taxa de prenhez. 

Além dessas vantagens, a aplicação da técnica de IATF também traz outros benefícios, como: 

  • auxilia no controle de informações sobre o rebanho; 

  • acelera e facilita o melhoramento genético; 

  • permite ao produtor decidir a melhor época para os partos; 

  • facilita a inseminação artificial tradicional

  • controle da taxa de natalidade 

Quando implantar a IATF em bovinos

Indiscutivelmente, a Inseminação Artificial em Tempo Fixo apresenta diversas vantagens. Dessa forma, para que essa prática seja bem sucedida, algumas medidas devem ser tomadas para o bom funcionamento dessa técnica. 

Primeiramente, é necessário identificar as características de seu rebanho. Assim, é possível reconhecer quais os índices apresentam resultados insuficientes ou abaixo do ideal e que devem ser aprimorados. Também, o acompanhamento individual de cada fêmea é extremamente importante, já que apresenta informações específicas sobre o animal e permite monitorar seu desenvolvimento, além de avaliar se o animal está em boas condições para a implementação da IATF. 

Alguns cuidados também devem ser tomados para o uso de novilhas na IATF em bovinos. Esses animais apresentam, geralmente, maior fertilidade e possuem um potencial genético avançado, quando em comparação com outros animais do rebanho. Contudo, é preciso avaliar se essas fêmeas estão em condições ideais para a prenhez. Recomenda-se que esses animais já tenham passado por pelo menos um ciclo estral e que os desenvolvimentos corporal e de seu trato reprodutivo estejam apropriados. 

Para que a IATF em bovinos seja viável, é necessário que a fazenda e o produtor possuam condições favoráveis à execução da técnica e à gestação bovina. Primordialmente, é imprescindível que a aplicação da IATF seja devidamente planejada. Assim, é preciso que sejam traçados os objetivos, que haja um levantamento dos materiais que serão utilizados e que sejam determinados quais animais serão escolhidos para a inseminação. 

Também, o controle sanitário se mostra importante para a realização efetiva da técnica. É importante que haja uma atenção à saúde das vacas, pois podem ser acometidas por doenças relacionadas ao parto ou à alimentação. Além disso, as fêmeas devem ter suas vacinas atualizadas e precisam estar em boas condições para a aplicação da IATF. Ainda, é necessário que os animais encontrem um bom ambiente pós-parto e um manejo nutricional que supra suas necessidades biológicas. Os materiais e instalações utilizados devem estar devidamente higienizados, organizados e com a manutenção feita.

Além disso, é indispensável que a equipe que realizará a inseminação seja qualificada, comprometida e treinada. Todos os integrantes devem ter um conhecimento aprofundado sobre cada uma das fases da IATF em bovinos, desde ministrar os medicamentos até a inseminação. É importante também que os técnicos, pecuaristas ou veterinários tenham conhecimento das técnicas utilizadas e dos cuidados que devem ser tomados na aplicação da IATF.  

É indiscutível que a IATF em bovinos é uma técnica que possui diversas vantagens e que corresponde à competitividade e modernização da pecuária. Se interessou pelo assunto? Confira o Curso de Inseminação Artificial e Estratégias de IATF em Bovinos!

Fonte: Ouro Fino Saúde Animal, Shop Veterinário, Embrapa e Pubvet

 

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