Saiba mais sobre o manejo nutricional em gado de leite

Em entrevista a Revista Agropecuária o Professor do CPT Cursos Presenciais Fernando Pimont Pôssas - Médico Veterinário CRMV-MG 7779 - Mestre em Zootecnia, Nutrição Animal (UFMG) - Doutorando em Zootecnia, Nutrição Animal (UFMG) e Professor do Curso de Manejo Nutricional de Gado de Leite (Alimentos e Alimentação) , fala sobre  o manejo nutricional em gado de leite.     Revista Agropecuária - Qual a importância de um bom manejo nutricional das vacas em lactação? Prof. Fernando Pimont Pôssas - A cada dia que passa as atividades do agronegócio tem se tornado mais competitivas. Assim, precisamos ser cada vez mais eficientes na produção de leite. Dessa forma, a nutrição tem um papel fundamental, até porque esse item é um dos mais onerosos em um sistema de produção de leite, representando de 40 à 60% do custo total da atividade. Além disso, tem-se buscado animais cada vez mais produtivos, os quais exigem dietas bem equilibradas e fornecidas corretamente para que se possa atender a grande exigência nutricional destes animais. Com um manejo nutricional eficiente podemos conseguir que as vacas atinjam um maior pico de produção, uma maior produção de leite ao longo da lactação, uma boa recuperação da condição corporal, mantendo assim alta eficiência produtiva e reprodutiva. Quando conseguimos aliar alta produtividade e alta eficiência reprodutiva com baixo custo, conseguimos melhorar a lucratividade do sistema de produção. Revista Agropecuária - Por que devemos investir na criação de bezerras? Prof. Fernando Pimont Pôssas -A fase de recria corresponde uma etapa de custo elevado dentro de uma fazenda de produção de leite, principalmente os gastos com a alimentação. Porém, para conseguirmos aliar uma recria com baixa taxa de mortalidade e com idade reduzida ao primeiro parto, precisamos ser eficientes no manejo nutricional para termos bons ganhos de peso ao longo de toda a fase de recria. Dessa forma, a partir de um bom programa nutricional para se obter bons ganhos de peso tem-se uma idade ao primeiro parto reduzida, maior número de animais para reposição, maior números de animais para venda, maior capacidade de crescimento do rebanho sem a aquisição de animais de outras propriedades reduzindo o risco sanitário de introdução de doenças na fazenda. Além de todos estes fatores, não podemos esquecer que quando partimos de um bom programa de acasalamento, esperamos que as bezerras tenham um grande potencial produtivo, melhorando assim a qualidade dos animais da propriedade. Revista Agropecuária - O que devemos fazer no pré parto para tentar potencializar a produção das vacas no pós parto? Prof. Fernando Pimont Pôssas -O período de transição (21 dias pré parto até 21 dias pós parto) é um período crítico, no qual as vacas passam por diversas mudanças metabólicas. Assim, precisamos tentar reduzir esses efeitos negativos do período de transição para darmos condições das vacas expressarem todo seu potencial produtivo no pós parto. Algumas medidas importantes devem ser tomadas no pré parto, como: minimizar todas as situações de estresse, fornecer alimentos de qualidade, bom controle do escore de condição corporal, adaptação das vacas à dieta que será fornecida no pós parto, e também um bom controle do balanço iônico da dieta (dieta aniônica). Revista Agropecuária - O que é dieta aniônica e quais os benefícios de sua utilização? Prof. Fernando Pimont Pôssas -Um dos principais problemas associados ao período de transição é a hipocalcemia, sendo este distúrbio provocado pela perda excessiva de cálcio no parto e na produção de colostro. Quando a vaca apresenta um quadro de hipocalcemia, seja ela clínica ou subclínica, os riscos de ocorrência de diversas doenças (cetose, deslocamento de abomaso, metrite, mastite, retenção de placenta, e outras) ficam bastante aumentados. Dessa forma, quando interferimos no balanço iônico da dieta, estamos interferindo na ação do paratormônio, que é o hormônio responsável pela absorção de cálcio. Assim, quando utilizamos estrategicamente uma dieta no período pré parto com uma maior concentração de ânions (principalmente enxofre e cloro) em relação à concentração de cátions (principalmente sódio e potássio), estamos interferindo no metabolismo do animal provocando uma acidose metabólica, que deve ser monitorada a partir da mensuração do pH urinário. O uso desse tipo de dieta tem nos trazido resultados muito interessantes nas fazendas, e hoje é uma ferramenta que utilizamos com frequência e que tem ajudado bastante na redução de distúrbios metabólicos, e consequentemente, melhorando a eficiência do sistema de produção.      

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