Estudo genético com ovinos no Brasil pode auxiliar no controle da scrapie

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Recursos Genéticos e Biotecnologia e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) são os responsáveis pelo maior estudo genético já realizado com ovinos no Brasil. No estudo, foram avaliados genomas de 1.400 ovinos de 13 raças, incluindo localmente adaptadas (naturalizadas) e importadas, com o objetivo de detectar a suscetibilidade à scrapie, uma doença neuro-degenerativa fatal que ataca o sistema nervoso de ruminantes, sendo mais comum em ovinos.

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a scrapie foi detectada, pela primeira vez, no Brasil em 1985 em ovinos importados do Reino Unido. Em 2001, novos casos da doença ocorreram em ovinos importados dos Estados Unidos. O MAPA intensificou a adoção de medidas sanitárias para conter a disseminação da doença no rebanho nacional. Entre essas medidas, destacam-se a decisão de tornar a scrapie uma enfermidade de notificação obrigatória e a criação de um programa sanitário específico, que está em fase de elaboração, adequado à realidade do país.

Diante disso, informações genéticas podem subsidiar o desenvolvimento de políticas nacionais para prevenir surtos da doença no Brasil. O estudo acima citado pode ser determinante para a elaboração desse programa, já que permite mapear os diferentes níveis de vulnerabilidade animal à scrapie, ao longo das principais regiões do país. Segundo os pesquisadores Samuel Paiva e Alexandre Caetano, que participaram do estudo, os ovinos podem ser classificados em altamente suscetíveis, suscetíveis ou resistentes ao desenvolvimento de doença, dependendo da combinação genética.

A análise dos genes realizada na pesquisa mostrou que o grau de suscetibilidade dos animais está relacionado à combinação genética dos códons 136, 154 e 171 do gene PRNP. Entender as combinações entre os códons permitirá aos cientistas decifrarem o código genético.

Além de eficiente, o método de genotipagem utilizado foi adaptado pelos pesquisadores para ser mais rápido e econômico que os convencionais. Alexandre Caetano, um dos pesquisadores, explica que a adaptação tem como objetivo reduzir os custos de genotipagem em até 70%, em decorrência da diminuição da concentração de reagentes nas três etapas principais do ensaio (purificação ampliação, extensão de base e de limpeza final). Com essa redução, países onde os custos de ensaio são um fator limitante terão mais possibilidade de desenvolver processos de genotipagem.

Segundo Paiva, as boas condições do método facilitam a sua incorporação aos programas de conservação e melhoramento genético de ovinos no Brasil. No entanto, além de ter que investir em políticas públicas para conter a disseminação da doença dentro do país, o Brasil precisa também fortalecer o controle/monitoramento na importação de material genético.

O estudo apontou também que o rebanho nacional pode responder rapidamente a um programa de seleção, caso seja necessário, e que algumas raças localmente adaptadas podem ser usadas em programas de melhoramento genético para cruzamento com outras raças que sejam mais vulneráveis. Dessa forma, a pesquisa pode contribuir com uma política nacional para a prevenção de scrapie e servir como base para a elaboração de políticas de apoio à exportação de carne de rebanhos de ovinos no país.

  Fonte: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Adaptação: Revista Agropecuária      

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